Já é muito tarde e bate em minha janela agora o vento e ele trás o cheiro do mar mas, isso não me acalma. A perna esquerda insiste em balançar desde o almoço, não sei o que fazer para pára-la. Já assisti a filmes, estudei química, conversei com os felinos, jantei, tomei banho e nada, ela continua em insistir a balançar-se. Pergunto-me poque olhar o mar não me acalma, porque buscar os meus sonhos não me acalmam - ou melhor, não acalmam-a? - Talvez seja a pressão, que digo não sentir - e não sinto mesmo, não no meu consciente. Por que o vento que joga os meus cabelos para trás e massageia o meu rosto, não me tranquiliza? - Talvez o tempo curto e a estrada longa, os dias cada vez mais curtos, a sensação de vida se esvaindo entre meus dedos, a falta dos amigos. Talvez os canais da TV não colaborem para isso, por alguns minutos que sejam, só o tempo para o cérebro digerir o conhecimento ali enfiado "guéla" abaixo, as músicas não fazem sentido, se a sensação que eu tenho é de desequilíbrio, não entendo a melodia e nem a letra.
Outrora, o que me fazia desligar desse mundo era sair com os amigos, tomar alguns bons goles de destilados. Mas agora vejo, que dormir será a melhor solução para que a perna esquerda pare, ou talvez ela continue só que sem eu perceber. A inquietude do meu corpo deixa meu coração e razão abalados, eles se perguntam o que está havendo. E sem resposta continuam na corda-bamba, desequilibrados.
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